Anualmente, comemora-se em Alvoco das Várzeas a devoção popular a Santo André, padroeiro desta freguesia do concelho de Oliveira do Hospital.

Em 2016, a Festa em Honra de Santo André aconteceu a 4 de dezembro, mantendo-se a tradição ao longo dos vários momentos da festa e que este trabalho faz referência: a procissão, acompanhada pela Filarmónica Sangianense, o leilão das oferendas em honra do santo ou os depoimentos da D. Irene, da D. Soledade e do Sr. José Pedro sobre a festa em tempos mais recuados (quando estes eram jovens) e ainda o porquê de serem os antigos soldados a levarem sempre o andor de São Sebastião, repousando este na capela em seu nome, enquanto a procissão continua o seu caminho até à Igreja.

Não consegui gravar na íntegra o Hino a Santo André, escutado já no interior da Igreja Matriz, no fim da procissão, pelo que em breve o acrescentarei a este trabalho sonoro.


Fica assim registado e de acesso público mais um pedaço do património acústico religioso da freguesia de Alvoco das Várzeas.
Bem-hajam.


Luís Antero
janeiro 2017

Sons de Alvoco
paisagens e marcos sonoros do vale do rio Alvoco (2008-2012)

Sons de Alvoco é uma plataforma web onde pretendo dar a conhecer a freguesia de Alvoco das Várzeas (Oliveira do Hospital, Coimbra) na sua vertente sonora, ou seja, as paisagens e marcos sonoros que a compõem, preservando e divulgando um legado e riquezas incomparáveis, únicas e insubstituíveis, através de gravações sonoras de campo.

Uma memória colectiva sonora é o que está aqui em causa e através dela a(s) identidade(s) de um território...

Sons de Alvoco | Paisagens e Marcos Sonoros do Vale do Rio Alvoco é dedicado a todos aqueles que fizeram de Alvoco das Várzeas a sua casa, os nativos e todos os outros que a abraçaram como sua.

Mas este é também um projecto que abraça igualmente o território denominado Vale de Alvoco - de Alvoco da Serra à Ponte das 3 Entradas - acompanhando o seu rio e afluentes, assim como as localidades que a ele pertencem, dos concelhos de Seia, Arganil e Oliveira do Hospital.

O trabalho sonoro que agora se apresenta compila os quatro primeiros anos deste projecto, divididos em dois volumes. No volume 1, apresento gravações sonoras realizadas com várias pessoas da freguesia de Alvoco das Várzeas, com relatos e histórias de vida pessoais, mas também sobre as vivências quotidianas da aldeia. O volume 2, por seu lado, é dedicado às paisagens sonoras da aldeia, ou seja, aos muitos sons que a habitam, desde o bater das horas da igreja, até ao murmurar do rio.

Ouve gravações, que pela sua extensão, mereceram edição individual, como os casos das peças “Descalças, no meio daquela neve” e “José Ramiro: Contos do Seu Chão”.

Para aceder às notas técnicas/etnográficas/outras de cada uma das gravações, aconselho a audição destes trabalhos na sua página original, em www.sonsdealvoco.bandcamp.com

Este é o meu contributo, sempre inacabado, através da artes dos sons, para o enriquecimento e conhecimento da freguesia de Alvoco das Várzeas e do vale do rio Alvoco.

Os próximos volumes abarcarão o período 2013-2016 e volumes especiais dedicados a outras aldeias do vale.

Um muito obrigado à família Antunes, pela cedência da fotografia de capa.

Um bem-haja imenso e eterno a todos os alvocenses que comigo têm colaborado neste projecto.

Luís Antero
outubro 2016

Descalças, no meio daquela neve

Desci pela Rua da Capela em busca de apontamentos fotográficos, quando ouvi a. D Fernanda e a D. Conceição a conversarem na quelha da casa da segunda.

Entendi que era chegado o momento de ali fazer uma gravação acerca de apontamentos da sua vida pessoal e sobre vivências quotidianas e histórias em Alvoco.

Neste trabalho sonoro, trava o ouvinte encontro com o desconhecido, com histórias e estórias da aldeia que se confundem com a vida das duas protagonistas.

Um agradecimento especial a estas duas grandes alvocenses, Mulheres de mãos calejadas pelo trabalho e pelo tempo.

Luís Antero
outubro 2016
(adaptação do original de 2010)

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José Ramiro: Contos do Seu Chão

A aldeia do Chão Sobral não pertence a Alvoco, mas podia pertencer, tal é a proximidade geográfica, os laços sociais e culturais. Estes últimos têm sido (d)escritos pelo Sr. José Ramiro, figura que muito admiro e respeito, na sua obra poética "Contos do Meu Chão".

Há já muito tempo que era meu desígnio gravar algumas histórias de vida desta figura ímpar da poesia popular e do conhecimento rural.

Esta recolha foi efectuada na Aldeia do Colcurinho, na antiga loja do carro de bois, agora utilizada para fazer o porco no espeto durante a Festa de Santo Antão, o padroeiro da aldeia. Em fundo, ouve-se a água cristalina que incessantemente passa por ali.

local: Aldeia do Colcurinho / data: 2011.05.12 / hora: 17:00 / duração: 41:11

Porta de entrada para os versos do Sr. José Ramiro (uma vez que poeta ele diz não ser): www.chaosobral.org/hlcdomeuchao.htm

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Santíssimo Sacramento (2015)

Todos os anos, em junho, a tradição religiosa se repete em Alvoco das Várzeas. A festa do Santíssimo Sacramento junta novos e velhos na igreja e depois na procissão que percorre algumas das artérias principais da aldeia, principalmente pelo seu centro histórico.
As colchas continuam às janelas abertas em jeito de devoção e respeito. A capela de São Sebastião tem também as portas abertas para quem quiser lá entrar.
A filarmónica (este ano a Sociedade de Recreio Filarmónica Avoense) marca igualmente e habitualmente presença, marcando o ritmo da procissão e depois, já no largo da igreja, interpretando a Alma de Maestro, antes de o Sr. Acácio Mendes começar a leiloar as tradicionais fugaças oferecidas pelos habitantes da aldeia.
Os mais velhos têm memórias muito ricas acerca desta festa, onde era tradição a comunhão das crianças da catequese. Este ano não houve comunhão. Daqui a dois anos, segundo a D. Fernanda, já não haverá festa. Estas memórias acabam por ser apagadas por uma certa desilusão vivida no presente, principalmente no que toca à não participação dos mais jovens nesta e noutras festas religiosas da aldeia. Antigamente, a malta que vinha da tropa tomava logo conta de tudo, diz a D. Fernanda. O empenhamento (ou falta dele) hoje é outro e virado para outras lides que não estas tradições...
Contudo, o património imaterial da aldeia, nomeadamente o património acústico religioso, é de uma riqueza infinita e dele se recolhe franca alma para a elaboração deste trabalho sonoro.
Ainda nos surpreendemos com algumas histórias - como aquela acerca dos sinos das aldeias vizinhas - e com alguns cânticos religiosos próprios da festa do Santíssimo Sacramento, aqui cantados pela D. Maria e pela D. Fernanda.

Luís Antero | junho 2015

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Procissão de S. Sebastião (2013)

Em tempos idos, a festa e procissão em honra de São Sebastião, na aldeia de Alvoco das Várzeas (Oliveira do Hospital, Coimbra), realizava-se em janeiro. Com a gradual saída de muitos habitantes da aldeia para outras paragens, deixou de se realizar esta festa naquele período, passando o mês de agosto a ser o eleito para o efeito. Os devotos de S. Sebastião reúnem-se então para a missa na capela e respectiva procissão pelas ruas antigas da aldeia, ao som da música filarmónica. Manda também a tradição que os ex militares, fardados, levem o andor do santo.

Peça sonora produzida para a chamada de rádio da stress.fm, "Acesso/Fronteira", no âmbito do Festival CALE 2014, Fundão.

+ info: stress.fm/post/93405768404/acesso-fronteira-projectos

Resineiros

No âmbito da peça de teatro "A Resina e os Resineiros de Alvoco das Várzeas", levada a cena a 16 de dezembro de 2012, pelas catequistas da paróquia de Alvoco (inserida na 3ª edição do evento "Tradição e Transmissão"), resolvi recolher alguns depoimentos acerca desta outrora importante actividade.

Os protagonistas deste trabalho sonoro, de arquivo e documentação, são Acácio Mendes (o "Parente", como lhe chamo) e Assunção Lopes, num importante registo de memória para percebemos o quanto eram difíceis os tempos (anos 50 do século XX) de extracção de resina.

Contudo, nem tudo é sofrimento e trabalho. Há ainda a recordação dos bailes antigos e cantigas tradicionais de Alvoco das Várzeas, pela voz da sempre prestável Assunção Lopes.

Bem hajam!

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25 de Abril de 1974 | Alvoco das Várzeas

Em 2013, gravei na aldeia de Alvoco das Várzeas (Oliveira do Hospital, Coimbra) depoimentos com alguns locais acerca da sua vivência dos acontecimentos do dia 25 de Abril de 1974. Foram eles Agostinho Marques, actual Presidente da Junta de Freguesia; Antero Gouveia Gonçalves, meu pai; José Augusto Santos; José Pimentel e Luís Calado. Cinco homens com experiências diferentes acerca do Dia da Liberdade.

A peça que agora se edita, serviu também para uma instalação na Biblioteca Pública da Freguesia de Alvoco das Várzeas, em abril de 2013, no âmbito da exposição Cartazes de Abril, gentilmente cedida pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.

Um obrigado muito especial aos cinco alvocences protagonistas deste trabalho sonoro.

Luís Antero | abril 2014

Apiário (2013)

Peça originalmente produzida para o "radio open call" do projecto ECOS, da associação OSSO (www.osso.pt/projectos/ecos/radio/) e transmitida na stress . fm, entre os dias 12 e 14 de julho de 2013.

Alvoco das Várzeas. Aldeia. Abelhas. Aldeia que tem abelhas. Aldeia que é atravessada pela EN230. Apiário que se situa junto à EN230. Identidade. Identidade sonora do lugar. Relógio da igreja. Cães. Aves. Galos. Insectos. Tráfego. Identidade sonora da aldeia. Biodiversidade. Mel. Produção. Abelhas. Trabalho. Abelhas trabalhadoras. Ar livre. Gravador junto às abelhas. Pessoas. Crianças. Rio. Crianças no rio. Alvoco. Rio Alvoco. Identidade(s) sonora(s) do lugar. Marco sonoro.